Páginas

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Redes Generalizadas, Mentes Coletivas e Subversão da Ordem


Versão revisada de Aula Pública no IFCH/UNICAMP, realizada durante a Greve de Junho de 2009
(versão anotada em elaboração; 29/06/2009; intervenções são benvindas!)
Redes, rizomas, disseminação, contágio: tudo isso cresce ao acaso e é difícil de conter. Rizomas quebram barreiras, como capim que aflora sob lajes. Esse crescimento tem um motor que foi, o crescimento a taxas extraordinárias da capacidade de processar e de transmitir informação. Em outras palavras, um crescimento explosivo da capacidade para conectar coisas  e pessoas a custos que tendem a zero. O resultado no horizonte é um imenso coletivo do qual qual participamos juntos, humanos e não humanos, organismos e máquinas,  idéias  e objetos, e cujas conseqüências subversivas de longo prazo são imprevisíveis. O paradoxo é que esse motor  de subversão é gerado pelo próprio sistema capitalista, proprietário,  individualista e mercantil que ele ameaça subverter.
De tempos em tempos, acontece uma explosão das forças produtivas, levando a uma revolução nas relações sociais e no modo de existir das coisas. Um exemplo clássico é a revolução neolítica (c. 10.000 A.C), durante a qual se domesticaram plantas e animais – foi a primeira revolução biotecnológica, produziram-se instrumentos moldados de metal e instrumentos moldados de barro  – uma das primeiras revoluções técnicas... O resultado foram cidades e classes dominantes, Estados e exércitos, e a subordinação das comunidades, bandos e tribos em quase toda parte a impérios centralizados.
Um exemplo mais recente é o da revolução industrial (c.  1800 D.C.). Foi desta última que Marx tratou no Manifesto do Partido Comunista. Máquinas  movidas a vapor produzido pela  queima de carvão e a suor de trabalhadores produziram uma imensa expansão de mercadorias, acompanhada pela tentativa de subordinação mundial da natureza e dos povos na periferia do capitalismo. Tentativa que resultou em impérios coloniais que subordinaram boa parte -- mas não  todos -- os antigos impérios, tribos e comunidades das periferias. E principalmente, generalizou o dinheiro como a medida comum de todos os entes: não só coisas produzidas, mas também pessoas, terra e idéias se  tornaram intercambiáveis através pelo valor corporificado em moeda‐ouro e depois em moeda‐signo. Valor é rizoma: atravessa fronteiras ontológicas, desrespeita limites morais e institucionais,conecta anônimamente crianças trabalhadoras no Sri Lanka com compradores de tênis nos EUA. Junto com o valor como rede por onde flui matéria conformada pelo trabalho humano,  surgiu uma sociedade de indivíduos-proprietários. 
O indivíduo proprietário de coisas -- e definido antes de tudo pelo que possui e que é uma quantidade de dinheiro é também o indivíduo proprietário de suas idéias. É a figura figura romântica do viandante na tempestade aquele que é capaz de afrontar as forças da natureza equipado com o gênio criativo e individual, e é a imagem de Fausto. Em termos mais prosaicos: a informação pegou carona com a privatização: surgiram copyright, propriedade intelectual, patentes -- e para isso vale a pena fazer um pacto com o próprio diabo 1

FONTE :
http://cteme.sarava.org/Main/MWBA

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts with Thumbnails